sexta-feira, 10 de setembro de 2010


Venera-se

aquilo que não se vê

e tudo

o que se vê

corta os sentidos toscos.

Quem ouve a oração surda do corpo?

Quem vê a mancha escurecer no branco do lençol?

Toca-se a pele em memórias

e a

lagrima apaga o sol.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Lutar

Lutar
contra
o vazio permente
alaranjado, encarnado
na
pele
no rosto
cansaço
e
gargalhada rouca
e
deprimente.
Deixaram uma flor
seca
à
porta da tua casa.
Alguém fugiu
sem bater...
Roubaram, hoje
e ontem
o que melhor havia
a
minha alma
alegre e fria.

domingo, 14 de março de 2010

Domingo

Afinal as palavras não ditam nada...
São mudas quando ansiosas
vitral negro,
em janelas embaraçosas...
Afinal quem falou em perfeição?
Se o gesto mais simples é o que toca o céu.
quem são os deuses
quem é o homem?
Hoje respiro por quem também sou eu
e
nada mais importa
que um rir
que a tua verdade
que a tua chegada
e
a
minha saudade.
E tudo é tão simples
e tão bom
que a palavra mente
e nada é capaz
nada tem o poder
materializar o que um coração sente.

domingo, 7 de junho de 2009

Quase...

Era um surto,
tenho quase medo que o coração rebente,
que todas as veias ruborizem e me denunciem
a pressa, a pressa de estar contigo.
Tenho quase medo que os ponteiros se atrasem,
que a luz do dia destrua o vampiro bom,
que os raios de sol abram a clareira errada.
Tenho um quase medo de te perder,
um quase medo de te ganhar.
Se os ponteiros forem o tambor que me bombeia,
então o tempo passará tão rápido,
que cada dia, destes dias, será longo, inexistente, desenquadrado
do meu tempo real
e transformarei aquele dia
num sonho
proprio
dos
cansaços
adormecidos.
Mas, não, eu quero-te com tempo, muito tempo...

A.

Ambar...
Ambar, é aquilo que os meus dedos recusam não escrever...
Ambar, é aquela cor com que pincelaste tudo o que existe à minha volta...
E se eu te disser que és tu?
E se eu te disser que morri um pouco ontem?
O sono, a fome e a sede foram castigos,
foram coroas de um animal cansado.
Agora, já sou eu, mais alta que as nuvens
mais doce que o luar,
mais, mais, mais...
devolveste-me qualquer coisa.
Ambar,
sim, foi a cor do teu olhar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Anjo

Vá lá, acorda para a tua noite,
porque da tua noite se faz o meu dia,
só aí te encontro no branco
da minha fantasia.
Não sei se dormes, nem sei com que vestes o
teu corpo sem corpo.
Vá, agora acredita... na penumbra dos fantasmas e faz dele
um anjo a cair em volúpia na neblina do dia.
A minha ingenuidade só existe para te dar vida,
e a tua vida só existiu para me dares crueldade.
Prefiro não saber, seres um anjo e ser essa,
eternamente, a minha verdade.

Escarnio

Duas lagrimas caidas
gotejantes devaneios.
Eu não te quero perder,
Fico louco,espreguiço em gestos feios.
Choro porque não quero chorar,
choro porque não sei o que procura
esta alma perdida lá atrás num vestidinho cetim e
pergunto tantas vezes quem sou eu sem mim?
Eu quero é ser pequenina, pequenina no teu colo,
choro aí porque te quero,
aconchegada, quente, tua e com amniótico consolo.
E agora fica assim, para sempre assim, tenho raiva dos que me despertam e
me lembram outra vez de mim...